M.I.D.E. – Método de Informação De pErcursos

2010-12-13

Desde há longos anos o CAAL tem classificado as suas actividades com o sistema das “Botas”.

Trata-se de uma classificação muito simples, facilmente entendível, que se manteve satisfatória durante muito tempo.

Porém, à medida que os gostos e capacidades dos sócios se diversificaram, as “Botas” começaram a revelar uma limitação inerente à sua própria definição:

Tratando-se de um sistema subjectivo, cada participante numa actividade faz a sua própria leitura do significado de um certo número de “Botas”… e por vezes as suas expectativas acabam por ser defraudadas, pois alguns sentem mais dificuldades com desníveis acentuados, para outros é a extensão do percurso o principal obstáculo, e outros ainda sentirão dificuldades com passagens mais técnicas ou à beira do abismo;

Como a atribuição do número de “Botas”, por parte dos organizadores da actividade, está ela própria imbuída do grau de subjectividade inerente ao próprio sistema, está criada uma situação propícia a enganos, mal-entendidos e, em última análise, à ocorrência de situações potencialmente perigosas.

Por esta razão, a partir de 2011, as actividades de CAAL, para além das “Botas”, serão objecto de uma classificação mais completa, envolvendo a avaliação de um maior número de parâmetros: o M.I.D.E. – Método de Informação De pErcursos.

O que é pois o M.I.D.E

O M.I.D.E. – Método de Informação De pErcursos é uma escala de classificação de percursos pedestres (igualmente aplicável a percursos de Orientação, Escalada e Alpinismo) recomendada pela Federação Espanhola de Desportos de Montanha e Escalada e outras entidades oficiais.

A escala visa classificar e expressar as exigências técnicas e físicas dos percursos, e foi concebida como uma ferramenta de prevenção de acidentes em meio natural.

A classificação M.I.D.E. de um percurso corresponde sempre a uma época do ano específica e a condições do terreno bem determinadas, e compreende 4 índices distintos, cada um com uma classificação entre 1 e 5 pontos:

ÍNDICE SIGNIFICADO PONTUAÇÃO
1 2 3 4 5
Meio Severidade do meio natural O meio não está isento de riscos Há mais que 1 factor de risco Há vários factores de risco Há bastantes factores de risco Há muitos factores de risco
Itinerário Dificuldade de orientação no itinerário Percurso guiado ou caminhos e cruzamentos bem definidos Trilhos ou sinalização de continuidade Exige a identificação precisa de acidentes geográficos e de pontos cardeais Exige técnicas de orientação e navegação fora de trilhos A navegação é interrompida por obstáculos que há que contornar ou ultrapassar
Deslocação Dificuldade técnica da deslocação Marcha por superfície lisa (estradão, areal) Marcha por trilhos fáceis Marcha por trilhos ou terrenos irregulares É necessário o uso das mãos para manter o equilíbrio Requer passos de escalada para a progressão
Esforço Esforço físico necessário, englobando transposição de desníveis Até 1 hora de marcha efectiva De 1 a 3 horas de marcha efectiva De 3 a 6 horas de marcha efectiva De 6 a 10 horas de marcha efectiva Mais de 10 horas de marcha efectiva

O conjunto dos índices pode então ser apresentado de forma gráfica, como se exemplifica para algumas actividades realizadas em 2009/2010:

 

 

 

 

 

Meio: 1 

Itinerário: 1

Deslocação:2

Esforço: 2

 

 

 

Meio: 3 

Itinerário: 1

Deslocação: 3

Esforço: 3

 

 

 

Meio: 4 

Itinerário: 1

Deslocação: 3

Esforço: 5

 

Em breve o CAAL realizará workshops específicos relacionados com o M.I.D.E..