Alturas do Barroso

“não é terra de homens, mas também lá existem”
2014-10-04 - 2014-10-05 (Sábado - Domingo)

 


Não percam o álbum da Rosário Ribeiro em https://plus.google.com/photos/105548753063996552136/albums/6068310932832373009?authkey=COqa9pX5tMHCKA

 

 


“Olho a serra.

E diante desta natureza sem disfarces, aberta para todos os horizontes, sinto como que uma centrifugação do espírito. Ando, e parece que voo; tento localizar-me, e perco-me na indeterminação. Uma espécie de nomadismo da alma descentra-me e liberta-me das amarras mesquinhas da vida compartimentada. E compreendo de repente a força universal que impregna os gestos e as palavras destes barrosões, puros na impureza, que lavam as mãos no sangue de um semelhante e há mil anos que descobriram o cepticismo moderno, e que por isso entregam desta maneira a filha ao namorado que lha pede em casamento:

Pastora é,

Gado guardou;

Sebes saltou:

Se nalguma se picou,

Tal como está

Assim vo-la dou…”

Miguel Torga, in "Diário VIII", pág. 41- Alturas do Barroso, 27 de Junho de 1956.

 

A Serra do Barroso, também chamada de Alturas, faz parte do sistema montanhoso da Peneda-Gerês e nela predomina o xisto e o granito, ainda que nas suas encostas cresçam pastagens que alimentam o bem conhecido gado barrosão.

Delimitada pelos rios Tâmega e Cávado, e dividida entre os municípios de Boticas e Montalegre, as ‘terras de Barroso’ formam uma unidade paisagística e natural caracterizada por uma topografia complicada, com altas montanhas e vastos planaltos, e com características singulares nos aspectos humano, económico e cultural: isolada pelas montanhas, barricada atrás de lagos sucessivos, abandonada pelas vias rápidas, envolta em nevoeiro, chuva e neve, a região transmite através de paisagens insólitas, fragas e florestas misteriosas, uma força tremenda, e transforma-se ao sabor das estações.

Aqui os uivos do lobo não são um mito e as bruxas ainda se juntam em encruzilhadas. Não é terra para homens, mas também lá existem. As aldeias mantêm ainda um modo de vida tradicional, e alguma da sua arquitectura típica, visível nas casas de granito cobertas com telhados de colmo, e nas ruas lajeadas. Calçadas, com trilhos de floresta rodeados de carvalhos, castanheiros e vidoeiros, ligam as aldeias e correm ao lado de muros rústicos que separam terrenos, socalcos agrícolas, espigueiros e moinhos de água embutidos na paisagem montanhosa. Esta vai variando: nos cotos pedregosos predomina a vegetação rasteira, mais abaixo abundam os lameiros e bosques de abetos, e por fim temos o azul profundo das albufeiras do Rabagão e de Pisões. E as vistas, do couto da Armada (1279m altura) ou dos ‘Cornos das Alturas’ a panorâmica é fenomenal! Da Cabreira ao Alvão, do Gerês ao Larouco, o monte Farinha e a Sª da Graça, o Marão, a serra do Leiranco, e a albufeira dos Pisões, lá no fundo, uma delícia!

Por isso não se percebe o esquecimento a que esta serra é votada pela maioria dos ‘caminheiros’.

Características dos percursos:

Sábado 4 - Dia dedicado a Alturas e às vistas, num percurso pedestre circular com cerca de 13km que decorre por trilhos, caminhos rurais, lameiros, estradão e algum corta-mato. Começa em Alturas do Barroso, vai ao couto da Armada, ponto mais alto da Serra do Barroso (1274m), desce ao vale de Alturas, passa pelo meio dos ‘cornos’, se houver tempo subida facultativa a um dos coutos, até à aldeia de Alturas. Desníveis acumulados de ganho e perda de elevação de 544m. A seguir, vamos fazer uma prova do tão afamado fumeiro barrosão no ‘Ferrador’, onde o Sr. Humberto nos espera com enchidos de qualidade e um Douro de se lhe tirar o chapéu (www.aquabarroso.com).

Domingo 5 - Dia dedicado à ligação do homem com o meio ambiente e o sobrenatural; caminhos e calçadas entre aldeias, bosques e lameiros, espigueiros e moengas; mais no alto as cruzes: Sta Marta, Sª do Monte, Sª da Serra, e a Sª da Libração e o seu magnífico miradouro, quanto a São Fins, já só de autocarro. Percurso pedestre circular com cerca de 15km que começa e acaba na aldeia de Ormeche, rodeando a corga da contenda por trilhos, caminhos e calçadas. Desníveis acumulados de ganho e perda de elevação de 622m.

Recomendações: Botas, água e farnel para os 2 dias.

Cartografia: Folha 45 da Carta Militar de Portugal, na escala 1/25000 do IGE.

Alojamento: No Pavilhão Multi-Usos de Montalegre, sendo necessário levar frontal, toalha, saco-cama e colchonete. Como alternativa, e por conta própria, sugere-se hotelaria local perto do pavilhão: Estalagem 276510220, Casa Zé Maria 276512457, Casa do Castelo 276511237, Albergaria Pedreira 935125010, Hospedaria Fidalgo 276512462.

Partida: Sábado dia 4, às 6h15 de Algés e às 6h30 de Sete Rios.

Participação em viatura própria: Local de encontro no dia 4, às 12h30. em Alturas do Barroso. Após passar a barragem de Pisões, fazer a nacional 520 até ao cruzamento de estradas à entrada da aldeia. 

O preço inclui o transporte, o seguro, informação e mapas, a dormida no pavilhão em Montalegre, bem como a prova de fumeiro barrosão em Alturas.

 


Preços:
Autocarro: 71,50€ Menores 21: 30,50€
Preços:
Viatura própria: 34,50€ Menores 21: 20,50€