Em defesa do Parque Florestal de Monsanto

2015-01-22

Editorial da Informação 272

O CAAL é parte integrante da jóia verde da cidade de Lisboa, o Parque Florestal de Monsanto, que há cerca de 20 anos acarinha.

Em 2014 o CAAL manifestou (mais uma vez) junto da gestão do Parque Florestal de Monsanto o seu desagrado pelas condições em que se encontram as estruturas de escalada e arborismo do Parque da Pedra.

A resposta passou pela incapacidade para requalificar um espaço frequentemente sujeito a vandalismo, e assim fomos convidados a apresentar uma proposta em que nos candidatássemos à concessão do espaço. Na nossa proposta (que os Sócios podem consultar na sede do CAAL) escrevemos: ”Pensamos que a melhor forma de evitar a vandalização é garantir que os equipamentos sejam defendidos pelos seus utilizadores”, e ainda, “o Clube tomou a decisão de não concretizar a formalização de uma proposta de dinamização concessionada para os equipamentos de escalada localizados no Parque da Pedra, por acreditar e defender uma gestão pública para esse espaço e equipamento nele implementado”. O Clube defende esta posição por acreditar que, com qualquer concessão do espaço, os seus utilizadores veriam limitadas as condições de utilização, como por exemplo os períodos passíveis de utilização dos equipamentos. Mal sabíamos que o retirar de equipamentos da esfera pública se pretendia generalizar.

Nos últimos dias do ano assistimos à concessão de vários espaços do Parque Florestal do Monsanto para utilização privada.

Destes, o caso mais gritante diz respeito aos campos de basquete junto ao Moinho do Penedo (Alameda Keil do Amaral) que vão desaparecer para dar lugar a uma tenda de eventos com o apoio instalado no moinho (actualmente encerrado). Quem passeia por Monsanto sabe que estes campos estão permanentemente ocupados por uma utilização lúdica em benefício dos lisboetas. Este espaço, que como todos os espaços muito usufruídos é pouco sujeito a vandalismos, sinal de que deve ser mantido e incentivada a sua utilização massiva, vai desaparecer para que a sua localização privilegiada se transforme num rendimento para a CML.

O Clube lança a todos um forte apelo de mobilização contra este atentado ao nosso património, para iniciativas em que possamos vir participar, evitando que estes espaços públicos recreativos apenas fiquem disponíveis mediante pagamento ou convite.